A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos deve impactar o cenário político brasileiro em ano de eleições presidenciais. Em entrevista ao Correio, o professor de Direito Internacional e Ciência Política da Universidade de Brasília, Murilo Borsio Bataglia, avalia que a decisão, anunciada nesta quinta-feira (28/5), levanta questões sobre a soberania nacional. “A medida ocorre em um contexto de crescente internacionalização do debate sobre segurança pública e criminalidade organizada, mas também em meio a um cenário de forte polarização política e de aproximação das eleições brasileiras”, observa. Além disso, o professor aponta que a decisão de Washington vai de encontro a recentes movimentos de figuras da extrema direita no Brasil. Na segunda-feira (25), Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, visitou a Casa Branca e participou de reuniões com Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano. “Dessa forma, mais do que uma questão de segurança pública, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas insere-se em uma disputa mais ampla envolvendo soberania, cooperação internacional, geopolítica regional e narrativas eleitorais”, analisa.
