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A decisão do partido Democracia Cristã (DC) de substituir o então pré-candidato Aldo Rebelo pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, na corrida presidencial de 2026, abriu um racha interno na legenda e pode terminar na Justiça. Rebelo, que já havia sido anunciado oficialmente como representante do DC na disputa pelo Palácio do Planalto, reagiu à mudança e afirmou que poderá recorrer ao Judiciário caso sua pré-candidatura seja barrada de forma definitiva. A substituição foi comunicada no início da semana, após o partido recalcular a rota e anunciar Barbosa como novo nome da sigla para as eleições. A entrada do ex-STF foi confirmada em nota assinada pelo presidente nacional do DC, João Caldas. No documento, a direção partidária afirma que “o povo brasileiro merece um novo capítulo em sua história” e sustenta que o ex-ministro simboliza a possibilidade de reconstrução da confiança nas instituições. “Sua trajetória honra os valores republicanos e responde ao desejo de mudança da sociedade brasileira. O momento exige união, propósito e desprendimento. O Brasil está acima de projetos pessoais. A Presidência Nacional do DC convida toda a sociedade brasileira a abraçar essa candidatura de reconstrução nacional”, diz a nota. Segundo Caldas, havia um acordo prévio com Rebelo para que ele trabalhasse por três meses na viabilização de sua candidatura. “Se não se viabilizar, está fora. Isso foi tudo preestabelecido”, afirmou. Nesse intervalo, porém, Joaquim Barbosa se filiou ao DC. “No meio do caminho apareceu uma pérola, um diamante chamado Joaquim Barbosa”, declarou o dirigente.

Reação

A mudança desagradou Rebelo, que se manifestou nas redes sociais logo após o anúncio. Para ele, a decisão representa uma afronta ao que defende como prática política. “Candidaturas são projetos coletivos e não de grupos e interesses específicos. Fui escolhido para levar adiante um projeto de união e desenvolvimento do Brasil, ancorado na minha biografia sem mácula e na minha experiência na administração pública e no Congresso Nacional”, afirmou. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ex-ministro declarou que pretende levar a disputa inicialmente à convenção partidária e, se necessário, ao Judiciário. “Provavelmente, se for confirmada [a pré-candidatura de Joaquim Barbosa], será levada à convenção e, na pior das hipóteses, um processo de judicialização”, disse. E acrescentou: “Se houver ameaça à minha pré-candidatura, nesta hipótese, a questão será judicializada. Se não, marchará para uma disputa tranquila e democrática na convenção”. Rebelo também afirmou que manterá sua agenda política e seguirá como pré-candidato até que a situação seja definida internamente ou por decisão judicial.

Novo nome

Internamente, a avaliação de dirigentes do DC é que Joaquim Barbosa reúne condições de simbolizar uma resposta à crise ética enfrentada pela política brasileira e de enfrentar o debate sobre a desmoralização do próprio Judiciário. Barbosa ganhou projeção nacional como relator do julgamento do Mensalão, em 2012, e foi o primeiro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal, cargo que ocupou até 2014. Ministro da Corte entre 2003 e 2014, foi indicado ao tribunal pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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