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A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) escancarou, nos bastidores do Senado, uma disputa política que vinha sendo travada há meses e que terminou com a vitória da oposição e do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Antes mesmo da divulgação dos votos na CJJ, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, foi direto ao ponto ao falar com o indicado: “Alcolumbre te derrotou”, resumindo a leitura predominante entre parlamentares contrários à indicação. Segundo relatos, a derrota começou a se consolidar ainda antes da votação no plenário, apesar da aprovação apertada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Lideranças da oposição afirmam que o movimento foi articulado de forma silenciosa, com atuação coordenada entre senadores e interlocução direta com Alcolumbre. “Foi uma vitória de mérito dos líderes e do presidente [do Senado]. Trabalhamos muito e tivemos resultado”, disse um dos articuladores, destacando o esforço coletivo para barrar o nome de Messias.

A mesma liderança relatou um episódio ocorrido horas antes da votação, que, segundo ele, simboliza o alinhamento político que levou ao desfecho. “Ontem, às 12h30, liguei para o presidente [Alcolumbre] e perguntei se ele estava neutro, a favor ou contra. Ele me disse para fazer o meu trabalho que ele estava fazendo o dele”, afirmou. A interpretação, entre oposicionistas, é de que Alcolumbre atuou nos bastidores para influenciar o resultado, mesmo sem se posicionar publicamente. Outro momento citado como emblemático ocorreu ainda durante a sabatina. De acordo com parlamentares, ao ser cumprimentado pelo líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, Messias teria sido alertado sobre o cenário adverso. “Quando foi abraçado pelo líder Sóstenes, ele foi avisado que havia sido derrotado por Alcolumbre”, relatou um interlocutor. A cena circulou entre congressistas como sinal de que o placar já estava praticamente definido antes mesmo da votação. Com a derrota, a oposição ganhou fôlego e já projeta novas disputas no Congresso. No mesmo dia, lideranças demonstravam confiança na derrubada de vetos presidenciais, como no caso do projeto de lei da dosimetria de penas. “Hoje vai ser tranquilo e será uma vitória com mais de 300 votos”, afirmou um parlamentar, indicando que o resultado no caso Messias pode ter efeito cascata sobre outras pautas de interesse do governo no Legislativo.

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