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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, foi transferido na noite dessa quinta-feira do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal (SPF), na Asa Sul, em Brasília. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é vista como um indicativo de que estão em andamento negociações para um acordo de delação premiada. Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade com investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal para formalizar o início das tratativas da colaboração premiada. Ele chegou à sede da PF, nessa quinta, de helicóptero, por volta das 19h. Desceu da aeronave vestindo uniforme prisional, cabisbaixo e algemado nas mãos e nos pés. Policiais fortemente armados fizeram a escolta até a cela.

A defesa do empresário havia pedido que ele cumprisse prisão domiciliar, mas o relator do caso optou pela transferência para a sede da Polícia Federal. A mudança na estratégia de defesa ocorreu na semana passada, após o Supremo formar maioria para manter a prisão de Vorcaro. O ex-banqueiro dispensou os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval e contratou Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, criminalista com experiência em acordos de colaboração premiada, incluindo atuações na Operação Lava-Jato. Desde então, a nova equipe jurídica passou a intensificar interlocuções com integrantes do Supremo e da Polícia Federal. Na última terça-feira, Juca, que coordena um grupo de mais nove advogados, esteve com o ministro André Mendonça e com delegados da PF, o que aumentou as especulações sobre uma possível delação no âmbito das investigações envolvendo as fraudes do Master.

O caso tem origem na crise que levou à liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. A instituição enfrentava um colapso de liquidez após oferecer rendimentos elevados para atrair investidores, o que levantou suspeitas sobre a sustentabilidade das operações. As investigações apontam para um esquema de fraudes estimado em cerca de R$ 17 bilhões, envolvendo a criação de carteiras de crédito fictícias e tentativas de negociação desses ativos com o Banco de Brasília (BRB), com o objetivo de ocultar inconsistências contábeis. Vorcaro foi preso no mesmo dia da liquidação do banco, durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Após um período em liberdade sob medidas cautelares, ele voltou a ser detido no início de março, diante do avanço das investigações. Dos nove aparelhos celulares encontrados com o empresário, oito ainda estão sendo analisados pela Polícia Federal.

As diligências também resultaram no afastamento de servidores do Banco Central e na liquidação de outras instituições financeiras ligadas ao esquema, como a Reag Investimentos e o Banco Pleno. Além dos crimes financeiros, o ex-banqueiro é investigado por suspeitas de pagamentos indevidos a agentes públicos e pela suposta estruturação de um grupo para monitorar autoridades e intimidar adversários, o que elevou a gravidade do caso.

(Com Agência Estado)

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anapolisinforma@gmail.com

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