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O pré-candidato à Presidência Romeu Zema, do NOVO, estuda entrar com uma ação contra o ministro do STF Gilmar Mendes por declarações xenofóbicas sobre o sotaque mineiro. Em evento do agronegócio nesse sábado em Uberaba, no Triângulo, o ex-governador de Minas Gerais voltou a citar os embates dele com o magistrado e as falas de Gilmar durante uma entrevista ao Jornal da Globo. Na ocasião, o ministro afirmou que “Zema fala uma língua próxima do português”. Ao comentar a polêmica, o ex-governador afirmou que a equipe jurídica do partido analisa a possibilidade de processar o ministro.

“Eu imaginava que o ministro Gilmar Mendes fosse um homem mais instruído, porque numa semana ele conseguiu ofender os homossexuais, conseguiu ofender os mineiros, os goianos, principalmente nós mineiros aqui do Triângulo, que temos um sotaque bem característico. Eu converso igual a milhões de brasileiros do interior, que levantam cedo para trabalhar, que pagam impostos. Acho que faria muito bem ao ministro se ele saísse um pouco do seu gabinete e percorresse o Brasil para saber os danos que o Supremo tem causado a quem trabalha. O jurídico do meu partido está avaliando um processo, é uma fala ofensiva, xenofóbica, que destrata milhões de brasileiros que conversam como eu”, disse.

A troca de farpas entre Zema e Gilmar Mendes começou após o ex-governador de Minas elevar o tom contra o Supremo Tribunal Federal e passar a defender o impeachment de ministros e reformas na Corte como “plataforma de governo”, se eleito presidente. Zema também tem criticado publicamente a relação de alguns magistrados com o banqueiro Daniel Vorcaro e o Caso Master. Nesse sábado, o político mineiro novamente publicou críticas nas redes sociais ao STF, na série “Intocáveis”. A publicação ocorreu após Gilmar Mendes comentar os limites das sátiras envolvendo Romeu Zema e dizer que o político não aceitaria ser retratado como um boneco homossexual. Depois, o ministro pediu desculpas pela fala. Ele também afirmou, nas redes sociais, que existe uma indústria de difamação contra o STF e que vai combatê-la. Na última semana, Gilmar pediu a inclusão de Zema no inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, devido às publicações contra o Supremo. Tal medida foi criticada por outros pré-candidatos à Presidência, como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do PSD, que defendeu o político mineiro e disse que o STF tem extrapolado as suas atribuições. O Supremo ainda não decidiu se incluirá Romeu Zema no inquérito.

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